Quem cuida das pessoas que cuidam de pessoas, na sua organização?

No dia 3 de junho é celebrado o Dia do Profissional de Recursos Humanos. A data é uma oportunidade para reconhecer quem dedica seu trabalho ao desenvolvimento das pessoas e das organizações. Ao longo dessa trajetória, a Revelum teve a oportunidade de estar presente em diferentes empresas e acompanhar de perto a realidade desses profissionais. E foi justamente dessa vivência que surgiu uma reflexão importante.

Há alguns anos a Revelum entra nas empresas como consultoria, facilitadora de treinamentos e programas de desenvolvimento.

Às vezes é chamada por um RH robusto que tem estrutura, processos, indicadores, business partners por área, comitê de desenvolvimento, trilha de liderança bem desenhada. Tudo organizado. Tudo mapeado e sendo executado conforme o plano.

Às vezes é chamada por um RH que é composto por uma pessoa só ou duas, que está tentando fazer acontecer com o orçamento que sobrou, com a janela de tempo que a liderança cedeu, com a energia que ainda restou depois de resolver o conflito da manhã, responder o jurídico e ainda preparar a integração da semana que vem.

Dois cenários muito diferentes e a Revelum sabe que existem vários outros cenários também. Mas tem uma coisa que ela viu e ainda vê que é bem comum a todos:

“No final do dia, quando o treinamento termina, quando os participantes vão embora, quando a sala esvazia, a pessoa de RH fica. Recolhe o que sobrou. Anota o que funcionou. Conversa com a consultoria. Pensa no que poderia ter sido diferente. Já está pensando no próximo.”

E ninguém pergunta como essa pessoa está. Nestes anos todos, o que a Revelum já viu nos bastidores:

  • Viu RH segurar projeto desmoronando sem mostrar na frente do grupo
  • Viu RH descobrir, junto com a consultoria, na hora que a liderança não tinha comunicado o treinamento direito para o time (isso já aconteceu inúmeras vezes)
  • Viu RH brigar durante semanas para aprovar um projeto, conseguir, e no dia ver metade do grupo liberado para uma reunião “urgente”
  • Viu RH marcar, bloquear a agenda dos participantes com antecedência e, no dia, a pessoa falar que não poderia ir, porque tinha que entregar o trabalho, do contrário não bateria sua meta
  • Viu RH que acreditava mais no desenvolvimento das pessoas do que as próprias pessoas acreditavam em si mesmas ou mais que os próprios gestores dessas pessoas
  • Viu RH que foi o último a saber da reestruturação que afetou exatamente o time que ele tinha acabado de investir meses desenvolvendo.
  • E viu, mais vezes do que gostaria, RH sendo pressionado a fazer acontecer sem ter recursos financeiros, orçamento dedicado para algum desenvolvimento

“É engraçado, né?! A empresa quer o resultado. Quer o clima melhor, o time mais engajado, a liderança mais preparada. Mas na hora de colocar recurso de verdade, dinheiro e tempo, a resposta some. O orçamento encolhe, a agenda da liderança nunca abre ou pessoas nunca são prioridade, o projeto vira prioridade só no discurso.” E o RH fica no meio: cobrado pelo resultado de um lado, desassistido do outro.

Tem uma pergunta que acompanha a Revelum há um tempo.

Se o RH cuida das pessoas, quem cuida do RH?

Não é uma crítica. É uma pergunta honesta que quase nunca é feita em voz alta. Porque o RH aprendeu a funcionar assim: ser o suporte. Segurar a onda. Absorver demandas. Continuar entregando e se deixando em segundo plano, muitas vezes.

E a Revelum pode afirmar: RH faz isso muito bem. Com boa estrutura ou sem ela.